O jogador da seleção brasileira de vôlei, Douglas Souza, sofreu homofobia no aeroporto
09/09/2021

O jogador da seleção brasileira de vôlei, Douglas Souza, usou suas redes sociais na última terça-feira (07/09), para contar que sofreu homofobia no aeroporto em Amsterdã, na Holanda, na conexão de um voo do Brasil para a Itália.

O jogador viajava com o namorado, Gabriel Campos, para se apresentar à equipe Vibo Valentia, na qual vai jogar. No instagram, o jovem disse: "Hoje é um dos piores dias da minha vida.

Foi horrível. Está sendo horrível", reclamou.

"Puro preconceito, homofobia, vocês não têm noção. Eu vou, sim, explanar isso, porque eu não mereço, ninguém merece isso", disse. Durante as gravações do vídeo, ele ainda estava no aeroporto. "Eu só não vou contar realmente o que aconteceu hoje porque eu tenho medo deles tirarem a minha passagem e me deportarem", pontuou Douglas.

Nesta quarta-feira (08/09), já na Itália, ele postou vários vídeos explicando o ocorrido. Ele disse que o processo de entrada estava normal até que ele disse que estava viajando acompanhado do namorado, Gabriel, que vai morar com ele na Itália.

"Quando falei que era meu namorado, a fisionomia dele mudou na hora e o tratamento também", falou Douglas sobre um funcionário."Ele perguntou o que o Gabriel ia fazer lá, eu mostrei no documento de união estável, disse que ele ia me acompanhar, trabalhar lá. Ele chamou um cara no telefone e disse que ele ia cuidar da gente. Levaram a gente para um outro lugar do lado da fila, onde tinha umas 20 pessoas, largaram a gente ali por umas 5 horas sem nenhum tipo de explicação", contou o jogador.

"Depois de umas cinco, seis horas me chamaram em uma salinha e fizeram uma entrevista para perguntar o que eu ia fazer lá. Até então achei normal, tranquilo. Mas aí bateram de novo na tecla de quem era o Gabriel, e eu tentava explicar que era meu namorado e eles tinham muita dificuldade de entender."

"Eu comecei a perceber um padrão no tratamento deles, porque fomos colocados ali com mais 20 pessoas. Dessas, 18 eram pretas ou latinas. Chegaram pessoas depois da gente, resolveram o problema de todo mundo e não resolvia o da gente", relatou.

"A gente teve que dormir no aeroporto porque já tínhamos passado pela imigração, não tinha nem como ir para um hotel. Ficamos largados no chão até 7h da manhã, que era o próximo voo para Roma", disse o ateta brasileiro.

"Foi uma situação muito estranha, muito difícil, porque a gente se sente fragilizado nessa situação, porque não pode fazer nada. Era contra a polícia, então se a gente falasse alguma coisa, se se exaltasse poderia ter dado problema para a gente. Se eu não tivesse vindo a trabalho, se fosse turismo, com certeza nem estaria aqui, teria voltado para casa", afirmou o jogador.

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